A Esperança do Mundo

  1 Seria a opressão tão antiga quanto o musgo dos lagos? Não se pode evitar o musgo dos lagos. Seria tudo o que vejo natural, e estaria eu doente, ao desejar remover o irremovível? Li canções dos egípcios dos homens que construíram as pirâmides. Queixavam-se do seu fardo e perguntavam quando terminaria a opressão. […]

NO NASCIMENTO DE UM FILHO

(Segundo poema chinês de Su Tung-po, 1036-1101)   Famílias, quando lhes nascer um filho Façam votos de que seja inteligente. Eu, que pela inteligência Arruinei minha vida Posso apenas desejar Que meu filho se revele Parvo e tacanho. Assim terá uma vida tranquila Como ministro do governo   Bertolt Brecht em Poemas 1913-1956

Com Licença Poética

Com licença poética Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, Esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou tão feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio […]

Untitled

Um bom poema Leva anos Cinco jogando bola, Mais cinco estudando sânscrito, Seis carregando pedra, Nove namorando a vizinha, Sete levando porrada, Quatro andando sozinho, Três mudando de cidade, Dez trocando de assunto, Uma eternidade, eu e você, Caminhando junto.   Paulo Leminski

Vou-me embora pra Pasárgada

Em tempos em que a dura realidade impõe-se a contragosto, passe uma temporada em Pasárgada com Manuel Bandeira.   Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada   Vou-me embora pra Pasárgada Aqui não sou […]

O Dobro de Mim

Gozo de duas pernas e dois braços. Dois olhos, dois ouvidos e duas narinas. Naquilo que sou singular, Ainda assim, Sinto-me duplicado. Um só coração para o dobro de medo e, Desafortunado, O dobro de paixão. Uma só mente para o dobro de pensamentos E tamanha solidão. Uma só boca para o dobro de silêncio […]