Untitled

Moro numa casa onde nunca estou só.
Além dos amigos bem querentes que encontram sempre a porta aberta, tenho a companhia do Ted brincalhão, da Kiara destemida e da Tinha tinhosa.
O povo em pé lá chegou antes de mim. Ele me dá jabuticaba, goiaba, banana e limão. E muitas flores também. A ele presto meus respeitos, pois suas copas eu me deito e posso apreciar o céu azul, limpo, nos dias de sol do meu viver, e posso ver as estrelas na escuridão da noite fresca e orvalhada.
Por lá também estão meus mentores, meus guias espirituais, com os quais troco uma prosa entre um gole e outro de café.
A casa é grande, como é grande meu coração, pois há de caber todo mundo. Quem ri, quem chora, quem ama, quem odeia, quem quer ou não quer.
Tal como o corpo que ora ocupo, a casa não é minha. Trata-se de um empréstimo enquanto essa aventura durar.
Por isso, seu destino não me pertence. Obedeço a sua missão e apenas facilito as coisas para que os seres de luz, que anseiam por nosso evolução, continuem seu trabalho, fazer-nos mais que humanos, seres divinos que já muito já somos.

Zé Rangel

Deixe uma resposta