Por que “Sabugo”?

Olá meus amigos. Sejam bem vindos.

Sabugo é uma singela homenagem ao nosso querido Visconde de Sabugosa, personagem criado por Monteiro Lobato.

Como muitos da minha geração, eu conheci o mundo das palavras através do Sítio do Pica-pau Amarelo, cujas estórias eu devorava em busca de aventuras e sonhos. Hoje reconheço a importância do Sítio em minha vida, pois ele despertou em mim o amor pelos livros e pelo delírio, elemento essencial na literatura. E Visconde é certamente um dos meus personagens preferidos. Seu amor pelos livros, entre os quais vivia, contagiou-me de tal maneira que ainda hoje me deslumbro diante de uma boa prateleira de livros.

Aliás, gostaria de fazer aqui um parêntese e contar um causo a vocês. Recentemente contratei uma empresa de marcenaria para fazer uma nova prateleira em minha sala. Meu desejo é que ela ocupasse a parede toda, do piso ao teto, de maneira que eu pudesse acomodar melhor meus livros. Depois das medições e ajustes de praxe chegamos ao projeto final, com vários nichos de tamanhos diferentes para livros de todos os gostos. E neste momento, para minha surpresa, a responsável pelo serviço me revela que nunca fizeram uma estante destinada exclusivamente a livros, pois, os clientes embora contratassem a confecção de estantes ou prateleiras, nunca as destinavam aos livros, antes serviam para vasos, porta retratos, e outros enfeites. Achei curioso e lembrei-me do Visconde. Pensei o quão desolado ele ficaria numa estante sem livros, onde não pudesse sentir o cheiro das folhas, ou recostar-se nas lombadas para tirar um bom cochilo após um café com bolinhos da tia Anastácia.

Tal como Visconde, os livros tem há muito me acompanhado, despertando reflexões e emoções que por vezes transbordam a minha própria existência e buscam o outro, o interlocutor, um outro ponto de vista, uma outra leitura da própria vida, através das estórias e das reflexões que elas suscitam.

E para isso convido vocês para estarem comigo no Sabugo, um blog cuja proposta é de compartilhamento, de saudável e amistosa discussão em torno de ideias e utopias, em torno de livros, filmes, arte e espiritualidade, enfim em torno daquilo que dá cor à vida e nos faz acolher o que há de mais humano em nós, nossas falhas, nossos desatinos, nossos anseios e sobretudo nossa fragilidade em face do desconhecido, o mistério do viver que todos os dias nos abraça e nos surpreende.